quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Trabalhadores da Flaskô se reúnem com representantes da Prefeitura

Uma comissão de trabalhadores recebeu na Flaskô o atual secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal de Sumaré, Alaerte Menuzzo.
Foram duas reuniões. Primeiro, apresentamos nossas propostas, como a municipalização (que poderia ocorrer via desapropriação, em troca das dívidas com IPTU, ISS e outros impostos e encargos que a fábrica deve ao município).
Também colocamos que é possível considerar a Associação dos Trabalhadores da Flaskô “Hermelindo Miquelace” como de utilidade pública (aprovando uma lei na Câmara de Vereadores) para facilitar o recebimento de verba pública.
Outra proposta foi a de considerar a Flaskô um patrimônio histórico e cultural da cidade, como uma maneira de avançar na luta por uma fábrica pública, de responsabilidade da Prefeitura.
No entanto, o foco da reunião girou em torno das necessidades imediatas de crédito e de pagamento de energia elétrica.

Resposta do secretário:
O secretário se comprometeu a tentar marcar uma audiência com o BNDES e de sentar conosco na próxima mesa de negociação com a CPFL. Mas, pediu um relatório social, um balancete financeiro da Flaskô e o estatuto da Associação Hermelindo Miquelace para ter em mãos uma documentação mínima para apresentar ao banco.
Também se comprometeu a elaborar projetos de reciclagem de materiais plásticos que possam ser desenvolvidos aqui na Flaskô e de agendar uma reunião com a gente, junto a empresas químicas de Sumaré, para tentarmos ampliar contatos e clientes para a fábrica.
Por fim, sugeriu que a discussão sobre a municipalização fosse tratada com a Procuradoria Jurídica de Sumaré, para analisar os aspectos legais que possam dar suporte a essa medida.

Ajuda urgente
Os trabalhadores insistiram com o secretário que, devido aos problemas urgentes que estão passando, a Prefeitura tem que encaminhar alguma medida de apoio material e/ou financeiro imediatamente, senão todas as boas propostas levantadas ficarão apenas nas idéias.
Afinal, está em jogo a continuidade da fábrica ocupada Flaskô e os atuais projetos comunitários da Associação dos Moradores do Parque Bandeirantes que são desenvolvidos nas instalações da fábrica.
No entanto, Alaerte colocou obstáculos jurídicos e formais para se fazer isso, mas, o camarada Pedro Santinho, coordenador do Conselho de Fábrica, lembrou que essas barreiras são frágeis, basta ter vontade política para superá-las. E citou como exemplo o envio de matéria-prima da Venezuela para as fábricas ocupadas brasileiras, que ocorreu devido aos laços de solidariedade de classe existentes e não necessariamente pelo respeito às regras do comércio mundial, dominado pelo governo dos EUA e as multinacionais.
Já o camarada Alexandre, advogado dos trabalhadores, argumentou que é possível encontrar base jurídica na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Constituição do Brasil e na própria Lei Orgânica do Município para respaldar legalmente uma ação efetiva e imediata da Prefeitura, cujo atual prefeito é do PT e candidato à reeleição.
Uma nova reunião será marcada e os trabalhadores esperam contar também com a participação do prefeito de Sumaré, José Antônio Bacchin.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Importante ato em SP para salvar os empregos no dia 02/09

Ato em SP
Dia 02 de setembro, às 11h
na Superintendência do Ministério do Trabalho
Rua Martins Fontes nº 109, Centro

Saída da Flaskô, às 7h30
Rua 26, n. 300. Pque Bandeirantes. Sumaré/SP
(Km 107 da Rodovia Anhanguera, sentido capital - interior)

Diante da pressão e sabotagem patronal e da constante negativa do governo Lula em nos apoiar, estamos numa situação administrativa e financeira sem saída e seremos levados ao fechamento, mais dia, menos dia.
A responsabilidade não é dos operários, que vem fazendo de tudo para manter os empregos, salários e a produção. O responsável é o governo Lula, que apoiou o ataque contra os trabalhadores da Cipla e Interfibra e agora joga a fábrica ocupada Flaskô aos leões do mercado capitalista.

Governo Lula joga fábrica ocupada Flaskô aos leões do mercado capitalista!

Mais de um mês já se passou desde o Tribunal Popular (que julgou a intervenção federal nas fábricas ocupadas) e até agora o governo Lula não respondeu à sentença protocolada em Brasília.

Entre outras decisões, o júri popular reunido em Joinville/SC intimou o governo a devolver a Cipla e a Interfibra para os trabalhadores e a salvar os empregos na fábrica ocupada Flaskô de Sumaré/SP.

Mas, nem uma coisa, nem outra. O interventor federal continua a mandar e desmandar na Cipla e Interfibra, sem pagar um centavo da dívida com o INSS (utilizada como desculpa para a ação militar-fascista disparada contra o Movimento das Fábricas Ocupadas), enquanto a situação dos trabalhadores da Flaskô segue cada vez mais dramática.

Dificuldades alcançam nível máximo

Após cinco anos de controle operário na Flaskô, é possível listar inúmeras vantagens e conquistas em comparação à gestão patronal, porém, ao mesmo tempo, as pressões do mercado capitalista criam e avolumam as dificuldades no sentido de inviabilizar o funcionamento da fábrica, mais dias, menos dias.

As dívidas que os patrões deixaram como “herança maldita” para os trabalhadores foram empurradas para frente, na perspectiva de serem amenizadas ou solucionadas através de uma ação estatal que pudesse transformar o passivo da empresa em ativo do poder público e, assim, dar início à recuperação do parque fabril e dos direitos sociais e trabalhistas.

Nesse sentido, os acordos de parcelamento das dívidas com a Justiça do Trabalho e com a companhia de energia elétrica (CPFL), por exemplo, foram necessários para manter a fábrica aberta e seguir a luta pela estatização sob controle operário.

Porém, a disposição do governo Lula em organizar a intervenção federal e em financiar a burguesia nacional e as multinacionais com vultosos empréstimos, tira a estatização do cardápio e joga os trabalhadores da Flaskô aos leões do mercado capitalista.

Os operários sentem isso. A sabotagem patronal impõe limites ao faturamento da fábrica e assim mal se consegue pagar os salários. O orçamento fica comprometido com a CPFL, os agiotas e os empresários que comercializam os produtos Até os acordos parciais conquistados anteriormente deixaram de ser um alívio e entram no infernal círculo de estrangulamento administrativo/financeiro.

Enquanto a Mauser, multinacional alemã do setor plástico realiza fusões e aquisições com bilhões do BNDES para modernizar e concentrar a produção, a pequena e endividada Flaskô que se vire? Assim é impossível! Abandonar à própria sorte os operários que tocam uma fábrica para manter os empregos e os salários não pode ser considerado uma política séria para a classe trabalhadora! Afinal, como se vê, sem apoio estatal, nem os capitalistas sobrevivem!

Lula, você é o responsável!

Para sair dessa armadilha armada pelo governo Lula a pedido da burguesia, os trabalhadores da Flaskô irão se mobilizar novamente e solicitam a força de todos os apoiadores, partidos e parlamentares comprometidos com a classe trabalhadora, sindicatos e movimentos sociais.

Um ato em SP está programado para o dia 02 de setembro, em um órgão público do governo federal para exigir uma solução para salvar os empregos. Que venha imediatamente dinheiro público para manter os postos de trabalho! Que venha matéria-prima! Que se reduza o preço da energia elétrica para a fábrica ocupada Flaskô!

Afinal, se nada disso for feito logo, o governo Lula ficará com mais uma mancha: a de ter levado a fábrica ocupada Flaskô ao fechamento, mesmo depois dos heróicos combates travados pelos trabalhadores.

Contatos:
mobilizacaoflasko@yahoo.com.br
(19) 3864-2624 ou 2580 - Flaskô
(19) 9723-4695 - Prata
(11) 82355287 - Fernando

terça-feira, 29 de julho de 2008

Ajudem a exibir o filme “Fábricas Ocupadas: Intervenção”!

Nos dias 28 e 29 de julho, o trabalho na Flaskô foi re-organizado para permitir que todos os trabalhadores assistissem a exibição do filme sobre a Intervenção Federal nas Fábricas Ocupadas, sem prejuízo ao funcionamento normal da empresa.

Por turnos, os trabalhadores se ajeitavam na sala da Mobilização, onde um pequeno cine foi improvisado, com projetor e telão. Todos viram o filme com atenção e houve um breve debate ao final.

O Movimento das Fábricas Ocupadas solicita aos apoiadores que adquiram o filme e ajudem a organizar exibições nas greves, ocupações e campanhas eleitorais, nas escolas, faculdades, cines-clube, nos bairros ou mesmo entre amigos, como forma de divulgar o ataque do governo Lula, feito a pedido da burguesia, contra os trabalhadores da Cipla e Interfibra.
Exibir o vídeo significa também dar continuidade ao Tribunal Popular que julgou a Intervenção Federal e explicar a luta na Flaskô, que resiste contra os ataques dos monopólios capitalistas e da justiça burguesa, pela estatização sob controle operário. Serve também para debater o aumento da criminalização dos movimentos sociais e como combater isso.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Encontro da Juventude Revolução reafirma apoio à luta das fábricas ocupadas

Ao todo, 115 jovens de oito estados brasileiros (SC, PR, SP, RJ, MG, MT, PE, PB) se reuniram no 11º Encontro da Juventude Revolução – Acampamento Nacional pela Revolução.

Como parte dos debates, os presentes discutiram a importância do Movimento das Fábricas Ocupadas e da defesa da Flaskô, que segue sob controle operário e em luta pela estatização. Os camaradas Fernando e Alexandre, jovens trabalhadores da Flaskô, auxiliaram neste debate.

Para saber como foi o Encontro, acesse:

http://www.revolucao.org/

http://www.juventude-revolucao.blogspot.com/

terça-feira, 22 de julho de 2008

Invepal (na Venezuela) está há um mês e meio parada por falta de matéria-prima!

Presidente Chávez em visita à Invepal
Em outubro de 2005, na abertura do I Encontro Latino-americano de Empresas Recuperada pelos Trabalhadores, realizado em Caracas, na Venezuela, o presidente Hugo Chávez anunciou a nacionalização de algumas fábricas, dentre elas, a Venepal (transformada em Invepal).

A decisão foi tomada no rumo certo, para evitar o fechamento de postos de trabalho e das atividades produtivas, mas segundo a notícia traduzida abaixo, publicada pelo site El Universal, a empresa está paralisada há um mês e meio por falta de matéria-prima.

Além disso, os trabalhadores estão sentindo os problemas trazidos com o sistema de co-gestão com o Estado. (Invepal opera com 51% das ações pertencentes ao Estado e 49% nas mãos da cooperativa dos trabalhadores).

Questões trabalhistas, como a incorporação de 300 funcionários que não são acionistas da empresa, mas trabalham na planta, permanecem sem solução à vista. Além disso, não se sabe ao certo quem é o responsável pelo pagamento dos salários e benefícios: o Estado ou a cooperativa?

A FRETECO (Frente Revolucionária de Trabalhadores em Empresas em Co-gestão e Ocupadas - www.controlobrero.org) vem defendendo que a única maneira de resolver situações como essa é a nacionalização (100% estatal) com controle operário.

Não se trata apenas de uma questão de método. Trata-se da defesa e do aprofundamento da revolução, pois os capitalistas e burocratas do Estado se aproveitam dessas fragilidades para dizer que os trabalhadores não são capazes de gerir uma empresa, muito menos o país.

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Caracas, 21 de julho, 2008
Economía

Invepal está há um mês e meio parada por falta de insumos

Trabalhadores da empresa esperam que hoje se reiniciem as atividades

Suhelis Tejero Puntes

EL UNIVERSAL

A Indústria Venezuelana Endógena de Papel (Invepal) está há um mês e meio parada por falta de matéria-prima, segundo asseguram os trabalhadores desta planta.

A empresa, que forma parte do grupo de estabelecimentos que foram tomados pelo governo para levar à frente um processo de co-gestão no ano 2005, deteve suas operações várias vezes nesses anos porque a polpa utilizada para fabricar o papel não chega a tempo para continuar a produção. A mesma é importada desde países como Chile e Canadá.

Tal situação, revelou o trabalhador Noel Capote, deveria ser solucionada hoje, quando se espera que a indústria reinicie as operações e, desta vez, espera-se que seja de forma definitiva.

Para garantir isso, Capote assegurou que a empresa irá importar, além de matéria-prima, bobinas de papel para que, no caso da chegada da polpa falhar novamente, Invepal poderá seguir operando e assim não existirá a necessidade de parar o maquinário.

A indústria opera sob o esquema de co-gestão, no qual o Estado tem a maioria acionária (com 51% do pacote), enquanto que a cooperativa Covimpa, que representa os trabalhadores, detém 49%.

Em outros aspectos, o trabalhador de Invepal assinalou que se mantêm os problemas trabalhistas na indústria, pois a cooperativa não pretende absorver aos pouco mais de 300 trabalhadores que não pertecem à mesma, o que gera diferenças com os outros 297 que sim pertencem a Covimpa.

Não obstante, Capote revelou que a cooperativa en Invepal funciona a cargo do Estado, pois os trabalhadores inscritos na mesma pertencem à folha de pagamento estatal e é o governo que cancela seus salários e benefícios e não Covimpa.

Por outro lado, o trabalhador consultado indicou que todavia a empresa não alcança dividendos, situação gerada pelas múltiplas paralisações que enfrentaram desde o início, assim como por problemas financeiros que incluem má gestão administrativa logo no início.

O governo nacional, quando anunciou a criação da papeleira sob o esquema co-gestionário, estimava que em dois aanos a empresa estaria rendendo frutos, mas já correram três e os números seguem no vermelho. Invepal se formou após a expropriação das instalações de Venepal.

Junto a outras empresas, como Inveval e Invetex, entre outras, a papeleira integra a experiência que o Executivo iniciou em 2005 para entregar mais poder à massa trabalhadora e logo transferir as ações estatais. Mas algumas, como Invetex, não iniciaram as operações.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Assista aos vídeos!

Clique nos links abaixo para ver!
http://www.youtube.com/watch?v=aWa7IJWMub0
Emocionante testemunho e apelo de Chaolim, trabalhador da Flaskô, feito durante o Tribunal Popular que julgou a intervenção nas fábricas ocupadas.

http://video.google.com/videoplay?docid=5828599433420162941&hl=en
Rafael Prata, da fábrica ocupada Flaskô, entrevista Eduardo Vasco Murua, da fábrica ocupada argentina chamada IMPA (em espanhol).